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Escadas marinheiro e a falsa sensação de segurança

Publicada em 24/04/2018

Uma significativa mudança na norma de segurança para trabalho em escadas, utilizada pelos Estados Unidos, alerta para a falsa sensação de segurança que as gaiolas, usadas nas escadas marinheiro, podem trazer ao trabalhador em altura. Presente desde edifícios comuns até complexas indústrias, a escada marinheiro é utilizada há décadas, mas as gaiolas se mostram cada vez mais ineficientes e prejudiciais em situações de queda.

Espera-se que ao iniciar uma queda dentro de uma gaiola, um dos pés do trabalhador encontre rapidamente um degrau e que a grade segure o corpo, que se desloca somente alguns centímetros para trás. Porém, é longa a lista de ocorrências em que os trabalhadores caem vários metros, antes que alguma parte do corpo se prenda novamente na gaiola, o que acaba ocasionando lesões significativas.

Baseada nessa situação, a OSHA - Administração de Segurança e Saúde Ocupacional Americana, determinou que a partir de 19 de novembro de 2018, as gaiolas não poderão mais serem usadas em nenhuma escada fixa. Na mesma data começa a valer o prazo para que, qualquer escada fixa recém-instalada esteja equipada com um sistema de segurança para escada ou um sistema pessoal de travamento de queda (PFAS). A entidade estipula até 2036, para que todas as escadas fixas com mais de 24 pés (7,32 metros) de altura estejam equipadas dentro do novo padrão de segurança.

No Brasil, o Ministério do Trabalho está montando um grupo de estudo para a redação do anexo III da NR-35, (que regulamenta o trabalho em altura) específico para escadas em geral. Um dos participantes é o engenheiro Gianfranco Pampalon, auditor fiscal do Ministério do Trabalho, que destaca que estatísticas nos Estado Unidos indicam que um em cada quatro acidentes fatais com quedas ocorre com escadas.

"Já estava no planejamento da CNTT da NR-35 (Comissão Nacional Tripartite Temática da NR-35) realizar este Anexo, pois o objetivo é normatizar a utilização de escadas individuais, para que se evite os improvisos e tenhamos um critério na escolha adequada da escada para determinada atividade, padrão e obediência às normas técnicas na sua construção e procedimentos seguros na sua utilização, transporte e manutenção", adianta Pampalon.

De acordo com o auditor, o anexo que foi para consulta pública baseou-se nas normas ABNT NBR 16308-2, NBR 16308-3 e EN-ISO 14122-4 e, além disso, foram incluídos alguns aspectos de boas práticas na utilização de escadas, como as mudanças nas exigências para as escadas tipo marinheiro, que torna obrigatório o uso de sistemas de proteção contra quedas (leia-se linha de vida vertical, trava quedas retrátil, etc).

Para Christian Camara, Diretor executivo da Dois Dez Industrial e especialista colaborador, convidado do Ministério do Trabalho, na elaboração do Anexo II da NR-35, além da criação da norma, é importante que empresas busquem e adotem soluções que facilitem a incorporação dos procedimentos de segurança no cotidiano de quem exerce atividades em altura, que se não executadas de maneira adequada oferecem severo risco a vida.

Exemplo é a determinação de algumas empresas para o uso de talabartes duplos pelos profissionais que trabalham com escadas marinheiro. "Pouco cômoda, esta técnica exige sucessiva conexão e desconexão dos conectores do talabarte ao se avançar pela escada, o que na prática, reduz a mobilidade e aumenta as chances do procedimento não ser adotado", explica Camara.

Uma solução apontada como mais viável para o caso das escadas marinheiro são as linhas de vida verticais com cabo de aço ou trilho, instaladas dentro do trajeto e que garantem uma subida rápida, contínua e a retenção automática em caso de queda. "A adoção de uma prática de segurança deve levar em conta não apenas o cumprimento de normas, mas também o conforto e a facilidade de utilização pelos profissionais", alerta o especialista, que também é profissional de acesso por corda N3, Instrutor e Examinador de acesso por corda e resgate em altura.

Ao contrário do que se imagina, a maioria das quedas fatais não ocorre de grandes alturas e sim de trabalhos executados relativamente próximos ao chão, como em escadas, por exemplo. O maior perigo está justamente em procedimentos simples, onde o risco é menosprezado.

Fonte: Divulgação Dois Dez Industrial

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